14/09/2007

“Antropofagia latente”

Texto e foto(tratada) por Luiz Bernardo Barreto



Dessacralize a sua aura
Propague o seu pecado
Erre o alvo da moralidade

Seja sujo...
Seja honesto

Reproduza o seu demônio
Desvanglorei o seu Deus
Tenha fé, seja racional

Antropofagia nascente...
Antropofagia latente

Publique a sua miséria
Cague em meros conceitos

Seja sujo...
Seja honesto

Roube a burguesia
Simbolize o seu ato
Satirize a realidade
Enterre o épico
Politize a revolta
Mate a ideologia e a ignorância

Seja sujo...
Seja honesto

Canibalismo dissimulado, oculto...
Antropofagia latente

Afinal de contas.., há preceito ético na “etiqueta” do jornalismo?

Texto(2003), Fotos(22/09/06 Jornal do Commercio e Folha de Pernambuco)
por Luiz Bernardo Barreto


A coreografia da fineza suplanta a selvageria do mundo, pois a “verdade” dará o ar de sua graça. O jornalismo, hoje, nada mais quer do que triunfar pela elegância, passando pela arte, baseando-se na ilustração e documentação. Fazendo isso, ele terá garantido o seu lugar na “casa” da honra e da nobreza.

... e a ética se transformou na etiqueta que constrói as cerimonias do espetáculo informativo. Afinal de contas, as relações de poder tem que ser ritualizadas e representadas pela “ética etiquetada”. E não menos diferente, a autoridade posta (e imposta) celebra as festividades da “etiqueta étnica”. Então, supõe-se que a etiqueta nada mais é do que o gozo de uma hierarquia aristocrática, pois bem se sabe que essa “ordem” nasceu para ser eterna e imutável. A imprensa nasceu das revoluções que maquiaram a democracia moderna.

Democracia.., há “democracia”. Afinal de contas, muitos princípios do jornalismo nasceram das idéias iluministas da revolução francesa. Revolução essa que também abrange “alguns” princípios do capitalismo.

He.., deve tá quase explicado porque é assim o novo jornalismo. Afinal de contas, o capitalismo vive uma “ética etiquetada”, de contratos, favores e deveres. O jornalismo é conflito. E se não há conflito no jornalismo, alguma coisa está errada. Os meios de comunicação se estruturam como o novo “palácio” da aristocracia (agora burguesia), por isso, será que eles querem preservar os direitos do cidadão? É demagogia...

Concluímos, então, que o jornalismo que não volta-se à ética etiquetada do capitalismo, deve ser uma instituição da cidadania, sendo uma vitória da verdadeira ética, buscando o bem comum para todos e procurando a emancipação que pretende construir o estado da igualdade. Só assim converteremos a etiqueta em uma pureza ética, e moldaremos a ética sem qualquer etiqueta. Mas essa é uma visão utópica, e a realidade condiz com o conflito, pois esse traz o equilíbrio.

Quem tem ética não precisa de etiqueta... e, na imprensa, quem vive de etiqueta não tem ética...

12/09/2007

“Discurso estruturalista da imagem”

Texto e fotos por Luiz Bernardo Barreto



O meu sema é singular ou plural
Meu texto trajetórico-gerativo
Minha significação conceito-chave
Minha relação diferenciada e opositora



O meu modelo gerativo é semi-narrativo, discursivo e textual.., ou seja, composto por língua, tempo e espaço, expressão e imagem
Minha semântica é contraditória ou “contrariável”
Meu objeto significante é gerativo ou genético
Meu processo narrativo é conjunto ou disjunto

A minha enunciação é pressuposta por todo um enunciatário
A minha semiótica é discursiva

Baseado na semiótica estruturalista, de Algirdes Greimas e Jean-Marie Floch

19/06/2007

Tem boi superfaturado no Senado!

É fogo na bomba!

Depois de alguns dias batendo na porta de alguns companheiros, agora o senador Renan Calheiros espera a “boiada” passar. A oposição faz de tudo para que esse “churrasco” todo acabe logo no conselho de ética, resultando na renúncia de Renan, o Boiadero.

Agora, a suspeita é que Renan, o fazendeiro, utilizou recursos da Mendes Junior (construtora) para pagar pensão alimentícia à Mônica Veloso, com quem teve uma filha. Pelo menos agente sabe que ele roubou o chifre do boi e pôs na esposa...

Renan se defende alegando que tais gastos são provenientes da venda de gado. Mas parece que a carne ta ficando podre pro lado dele. A polícia Federal trabalha em um laudo pericial dos documentos apresentados pelo senador, onde configurou-se superfaturamento. Pelo jeito, o açougue que o Senador pretendia abrir no Senado, vai fechar...

Mesmo com o perigo de perder o mandato, ele não renuncia e faz de tudo para conseguir maioria entre os 15 membros do conselho de ética, numa tentativa de arquivamento...

Será que tanto boi cabe numa gaveta?

Seu argumento maior é que a verdade é uma só, e irá aparecer.
Ha, se boi soubesse falar...

14/06/2007

Relaxem e gozem, senhores passageiros...

É FOGO NA BOMBA!

Ai, ai, ai... que mancada, em Martinha.., ou melhor, que gozada! Tá cheia de tesão, voando pelos ares aero-portuários, e deixa isso bem claro em rede mundial. É muita vontade de gozar!

Senhores passageiros, deixem o stress de lado, acariciem seus companheiros e companheiras nas respctivas salas de embraque, esperem pra caralho, e relaxem e gozem.., gozem muiiito gostoso, porque a putaria no ministério do turismo atingiu o setor da aviação civil...

A Martinha deve tá tooooda molhadinha....

(em homenagem a sua declaração sobre a demora dos vôos em 13/06/07)

22/05/2007

Foto e Texto por Luiz Bernardo Barreto - Jornalista


A sociedade não contada

A mãe-mídia educadora de frutos indigestos e políticas segmentadas, feita por elites e composta por fantoches


Politicagem elitista aparecia nas brechas da maquiagem conformista. Assim se denunciava. Todos pareciam meros fantoches que dançavam de acordo com uma sintonia desafinada moralmente, e desarticulada politicamente. A desordem era a medida provisória momentânea. A dança aguçava o ritmo da frenética roubalheira do caráter. A música estava no ar, ou melhor, nos ouvidos, encantando e persuadindo os desprovidos de informação. A falta da tal era uma benção. Divindade que proporcionava um presente de grego para os faltosos de conhecimento. Era a interatividade do espetáculo acompanhada do vazio no conteúdo. A empatia relacionava-se ao medíocre, ao banal, ao brilhante que nada iluminava. A interatividade se resumia ao repetitivo, a negação a reflexão, ao apego ao fácil.

A falta da dificuldade reflexiva era uma “mãe”, que criava seus filhos com mimo e sem restrições. Ignorância plantada no medo do perder! Suas crias cresciam cegas, apenas enxergando seu mundo interior. Obscuro compenetrado que revela o orgulho e a inveja. A vaidade brilha nos olhos de uma criança com referido perfil. Sua moeda é o interesse. Seu compromisso é a falta de hombridade e dignidade. A venda da alma é praxe quando a situação pesar contra. Sua criação o ajudou e o incentivou a se vender! Irá morrer enterrado com tudo que plantou. Sua colheita o negará. Seus frutos o entalará, tapando o canal de oxigênio que alimentava toda ingenuidade. Será o suicídio de uma cria sem amor, nem para dar, nem para receber. Filho de mais uma “parideira” da “sociedade da falta de informação”.

Uma sociedade funcional, sem importância. Seu valor se encontra no espetáculo consumido, sem pudor, sem razão, com vontade. As principais formas de entretenimento desvalorizam o próprio eu e exalta o repugnante, o feio, o baixo, o comum. Não há incentivo ao pensar. A única reflexão é a imagem do telespectador diante do espelho da ilusão, que detêm canais, antenas e botões. Funcionalismo descarado, informando a desinformação, ensinando cada vez mais o que tem dentro do que se reflete nesse espelho; banalidades. A concentração do “poder da imagem” era cada vez mais concentrada, articulada, corrompida. Poucas famílias decidiam a “programação do saber”. E se sabia cada vez menos.

O que se sabe, comprovadamente, é que muitas dessas famílias se alimentam e se introduzem nessa política de elites, padronizando o espelho da reflexão, que é a televisão, e programando o produto do consumo, que é o telespectador. Viva o entretenimento que anima e emburrece! Viva a falta do esforço ao pensar, que sempre nos ensina que o fácil nada ensina, apenas nos desencoraja! As marcas do desgosto aparecem cada vez mais em cada geração. A seqüela é involuntária. Os livros ainda são nossos heróis. Os poetas ainda nos traz sentido. E é isso que fortalece! Que se faz ser vivo, ser humano, rebuscando a racionalidade e o bom gosto pelo saber. Ferramenta fundamental para quem não quer virar um mero fantoche. Assim o modismo vendido e industrializado jamais reinará. A alternatividade trará as boas escolhas, sem censura e com liberdade. E assim poderemos enxergar o que há por trás do mundo obscuro, que revela o que pouco traz. Dessa forma contaremos o que não se comenta em uma sociedade não contada.
Fotos e Texto por Luiz Bernardo Barreto - Jornalista

O “contrato social” assinalado pela história
A interação da relação entre pobres e ricos, em um conceito social, econômico, opinativo e muito “viajado”...

Diferentes camadas, algumas castas, nivelados status. A sociedade mostra-se multiétnica, cheia de ideologias e variadas crenças. O resultado? Um contrato assinado por trabalho, obediência e necessidade.

A batalha é diária, o acordo eterno. Cada “soldado” em seu posto, fazendo com que altos postos sejam mantidos. Assim é a lei desse contrato “sociológico”. A classe “baixa” é representada pela falta da informação, criminalidade sensacional na mídia, trabalho secundário e grande espaço nas editorias policiais. Já os grupos “classistas” se apresentam com interpretações jurídicas, posse política e midiática, e grande paternalismo e patrimonialismo. Uma linguagem elitista.

Nesse contrato o que há é escambo, uma verdadeira troca entre o trabalho duro e quase sem valor financeiro, estruturando conhecimento e adestramento da tecnologia de ponta com estrutura duradoura. Aí, já uma outra classe. Sempre se renovando e inovando.

A moeda, como toda moeda, tem dois lados: a mão de obra sem qualificação, quase sempre barata; e a feitura de produtos largamente consumidos. Seja ele intelectual ou material. Ambos em contrapartida e em interação. Um necessita do outro, em forma de convivência, conivência, conveniência e conseqüência. É a lei do contrato. Feita de forma cabal e estruturada.

O Brasil é um país que já assina essa espécie de contrato desde a época da colonização, pois servia como território extrator do pau-brasil, e comprava seus artigos vindos da Europa, como cadeira, mesa, armários etc. Essa prática ainda é visível nos dias de hoje, com variados produtos que necessitam de matéria prima aqui achada em abundância. Perderia até a graça, e o tempo, se fosse citados tais itens, quando pode-se ir direto a um assunto de extrema importância e conhecido.

Refiro-me a pesquisas de âmbito acadêmico aqui desenvolvidas, mas nem sempre patenteada, produzida e comercializada em outros países. Essa é uma matéria prima que esse nosso sistema “político-educacional” concede por migalhas, e compra com os olhos da cara, assim ficando cego e secundário.

Tal posição categoriza esse país eternamente como emergente, o que na ótica dos países desenvolvidos e de primeiro mundo, simplifica-se a pobre. É certo que já deram o “status” de país desenvolvido ao Brasil.., jogada de marketing para sentir-se valorizado.

Um outro exemplo muito esclarecido de contrato e conivência, é o que existe entre polícia e banditismo, o tráfico especificamente, onde a propina dita a convivência. Por tempo incerto, com certeza.

Mas o contrato está assinalado... escrito com a caneta da burocracia e a tinta da destreza. Os lugares já foram estabelecidos, nivelando cada um a seu posto. O pobre e o rico produz, consome, trabalha e se diverte. Um em favela e o outro em condomínios e cidadelas.
Assinam contratos todos os dias, na medida em que um necessita do outro, seja na oferta e arrendamento de um subemprego, porém de grande valia para o empregador, seja no trocado ganho na esquina de uma avenida movimentada. O contrato é social!



05/02/2007

Foto e texto por Luiz Bernardo Barreto - Jornalista


“Mandingas” informativas, comunicativas, e além de tudo, reconhecidas...

A hora que a neutralidade se assume como mito


Lá estava.., propondo preposições sustentáveis e confirmadas, que condiziam com uma certa observação sistemática.

Então.., depois de um certo tempo, um teorema foi indagado. cogitou-se uma hipótese válida, concretizada em deduções.
Desde aí, floresceu um sistema indutivo.., cheio de hipóteses sustentáveis, que se faziam conjunto de fatos, baseado em dados, pesquisados e confirmados.

Mas a humildade do conhecimento reinou, fazendo reconhecer que tudo isso nasce de um sistema dedutivo, cheio de hipóteses válidas, porém conjeturadas de idéias e intenções pressupostas.

Coube, então, apenas refletir sobre o partidarismo, a análise e as intenções de algumas reportagens veiculadas, pois essas também tem suas "mandingas” informativas e comunicativas de expressar análise e opinião.

Seja no estilo do texto, no semblante do repórter, no casamento de imagem e áudio, na edição de uma sonora, na escolha da fonte ou na pauta escolhida, a neutralidade é mito no jornalismo, e isso deve ser claramente reconhecido, da mesma forma que a idéia de fazer uma pesquisa também pode provir de induções dedutivas.

Aí a intenção se revela...

14/01/2007

Maragogi: reduto de belezas naturais, boa comida e sossego prolongado

Fotos e texto por Luiz Bernardo Barreto - Jornalista









Muitos textos já foram feitos para expressar a discreta receptividade popular, e a poética paisagem que tem um dos municípios mais cheios de beleza do território alagoano. Com luz refletida no mar, e um clima quente e sempre agradável, brilha um litoral com beleza natural e sorriso de um povo acolhedor .., nasce Maragogi, com piscinas naturais de intensa vida marinha, e um sol dotado de luz e energia, onde os "deuses" encontram seu sossego.

O município, um dos últimos à norte de Alagoas e em plena Costa dos Corais, fica a cerca de 130 Km de Maceió e do Recife. Seus limites a leste é com o Oceano atlântico, a oeste Porto Calvo e Jacuípe, ao sul Japaratinga, e, ao norte, o município pernambucano de São José da Coroa Grande.

O nome da cidade deriva da língua tupi seiscentista que era falada pelos índios Pitiguares que viviam no litoral norte do que hoje é território alagoano. Por volta do século XVI apareceu a palavra “mariguis”, e um século depois os holandeses grafavam “mariguiji”. Também existe a forma seiscentista “maraguí”, que vem do tupi “moerú- guí- í”, que significa “rio dos mosquitos” ou dos maruins. No começo, Maragogi era um povoado chamado Gamela, que, em 1887, foi elevado à categoria de Vila, passando a se chamar Isabel, em homenagem à princesa que libertou os negros da escravidão. Em 1892 recebe o seu nome atual.

A cidade já foi palco de revoltas na época do império. Movimento restaurador armado, a guerra dos Cabanos (maio e junho de 1832) liderada por Antônio Timóteo de Andrade e o Almirante Tamandaré, visava a libertação dos escravos e o boicote aos engenhos de cana-de-açúcar. Os primeiros arraiais guerrilheiros foram construídos nas matas de Imbiras, Barra de Piabas e Piabas. Os cabanos, numa manobra de guerrilha, tentaram tomar o povoado de Barra Grande, mas a idéia não deu certo, pois perderam a batalha para as tropas acampadas ali. Dessa forma, recuaram em meio a forte tiroteio até o povoado de Gamela (hoje, Maragogi), e lá foram a São Bento, onde cabanos feridos se curavam dos ferimentos à bala. Daí ocorreu uma matança nessa cidade. A guerra só terminou em Janeiro de 1850, quando Vicente de Paula, o último líder, é preso nas matas do Mato Frio pelas tropas provinciais, sendo enviado ao presídio da Ilha de Fernando de Noronha. Morreu no engenho Marvano, em Jacuipe.


Maragogi abriga um povo nativo, onde a maioria sobrevive da pesca, turismo e agricultura, encontrando nessas ocupações sua base econômica e seu cotidiano. É composta por cerca de 25 mil habitantes, tem clima tropical quente úmido, e tem temperatura média de 27 graus. São 335,0 Km2 de território.

Sua culinária é tipicamente litorânea e nordestina, evidenciando os frutos do mar e o tempero da terra. Sua maior marca geográfica são as galés (piscinas naturais), que ficam entre vinte e vinte e cinco minutos de mar a dentro, com arrecifes visíveis onde a fauna marinha e tão real que os peixes são alimentados em sua própria mão.

O povo é humilde e simples, educado e receptivo. Alegria estampada, “trabalho” no rosto, vontade na alma. Esperança de uma boa pescaria, de um artesanato bem feito ser vendido, de um dia produtivo e prazerosos. Assim é sua gente, de andada como os caranguejos de seu mangue, com lama e sabor.

A especulação imobiliária na cidade já é presente. Diversos hotéis, pousadas, loteamentos, condomínios etc, dividem espaço com casas de barro e palha, estruturadas na beira da BR. Alguns sem-terra já habitam essa estrada. Maragogi se faz uma cidade conubarda com outros municípios alagoanos e de Pernambuco, na medida que existe transporte e passageiros para tais lugares todos os dias e horas.

O nascer do dia nesse território é magnânimo, em que por certas vezes é acompanhado pelos pescadores puxando suas redes fartas e pesadas. Frutas maduraa são vendidas em seu mercado público, com também peixes, ovos e carnes expostas. A vida é pacata, mas a temperatura é alta, fazendo calor durante todo o dia nessa época.

A boa pedida é uma lagosta, um sururu, camarão ou um peixe bem feito. No final da tarde uma macaxeira gratinada. E se o dia estiver muito quente, uma gelada na areia é uma boa idéia. Bom é caminhar em seu litoral de manhã cedinho, com o dia acordando e pedindo passagem.., dá um mergulho na lagoa dos Paus e um rolé de bugre.




Maragogi é reduto natural, onde ainda há “cabanos” nas estradada e a beleza sempre voga com o calor do sol. Sem dúvida alguma, um ótimo lugar para se passar desde um simples final de semana, às férias prolongadas. Quem quer sossego, paz, beleza natural, boa comida e mais sossego, essa terra é o lugar ideal. Essa é a terra dos coqueirais.





Galés (piscinas naturais a 20 Min. da costa)

Lagoa dos Paus (encontro do rio com o mar)

















































Para ver mais fotos acesse: www.flickr.com/photos/luizoolinda




01/12/2006

Rápidas do Olinda Arte em Toda Parte
Fotos e texto por Luiz Bernardo Barreto - Jornalista

Expressionismo e existencialismo. Poesias em formas pictóricas


Na quinta reportagem do Penny Press sobre o “Olinda Arte em Toda Parte”, conversou-se com um cara que produz uma pintura bem literária


Erisson Luiz da Silva tem 40 anos e pinta a mais de dez anos. Começou pintando camisetas e depois partiu para as telas. Amazonense de Manaus, com pais pernambucanos, chegou ao Estado aos seis anos de idade. Bacharel e licenciado pela Universidade Rural de Pernambuco, não foi nem pegar o diploma. Lia Dostojevski, e queria ser escritor. Se inturmou com o espaço de cultura libertária e publicava poesia em folhetos com o grupo. Foi vigilante, notificador de cartório, e deixou a poesia de lado. “É muito mais difícil se viver de poesia, pois não cria-se um objeto usual”, enfatiza Erisson. De certa forma, sua arte está contida de sociologia. É uma espécie de “misto regional”. Uma pintura impulsiva, sem muita técnica e proveniente da alma. Assim é o trabalho de Erisson, evolutivo em termos pictóricos, pois no começo só produzia o abstrato. No processo evolutivo, passou para a idiossincrasia, uma característica comportamental de um ou mais indivíduos responsável por interpretar uma situação de acordo com sua cultura e formação. Daí, passou para o figurativismo, onde percebeu que poderia pegar vários víeis da sociedade, onde o regionalismo se apresentou como uma boa característica.

A co-relação do primitivismo com o regionalismo é muito presente em seus trabalhos. Erisson se considera expressionista, com uma pintura dramática e subjetiva, e existencialista, com certa liberdade individual, e tem um certo “pezinho” no Fauvismo. Suas cores são expressivamente fortes nas representações pictóricas. Influenciado por Tereza Costa Rego, João Câmara e a espontaneidade de José do Amparo, também se inspira nos clássicos, como Picasso, Toulouse de Lautrec, o colorido de Valeri Gogan, Van Gogh, Cézanne. De certa forma, seu trabalho se encaixa como releitura de obras clássicas, introduzindo seu primitivismo nas idéias assimiladas. Hoje, não há mais idiossincrasia em suas obras, pois já tem na mente o que quer pintar. Uma técnica bastante “simplista”. “Meu trabalho é uma espécie de crônica. Não houve um crítico pra me categorizar’. Para Erisson, o consumo da arte no nosso país, ainda está preso ao trivial e o necessário. Seus quadros quebram um pouco o conceito de objeto de luxo, sendo acessível e retratador de uma realidade comum.

O ateliê de Erisson fica na rua do Amparo, casa n* 227-b, ao lado do bar Budega de Veio.
Mais informações acesse: http://www.erisson.com.br/
http://www.olindaarteemtodaparte.com.br

29/11/2006

Rápidas do Olinda Arte em Toda Parte
Fotos e texto por Luiz Bernardo Barreto – Jornalista

O encontro de dois movimentos em um só lugar. O abstrato e o surreal se unem e estão bem representados

Antonio Salvatore, o LA, e Sheila Rodrigues falam sobre suas pinturas e a iniciativa do evento


Na quarta reportagem sobre o “Olinda Arte em Toda Parte”, evento esse que tem Bajado como homenageado nesse ano, entrevistei dois grandes pintores contemporâneos, um que segue a escola abstrata e figurativa, a pernambucana Sheila Rodrigues de Oliveira, e Antonino Salvatore, italiano de Catania, que produz uma arte surrealista, muito parecida com a arte de Salvador Dali. Essa quarta edição do “Rápidas do Olinda Arte em Toda Parte” é uma dedicação a duas escolas de pinturas apaixonantes e de extrema valia. O abstrato pernambucano e o surrealismo europeu aqui se encaixam como manifestações em interação, e presentes nesse evento.

Antonino Salvatore, o LA, 37 anos, há um ano e meio trabalha em Olinda. Claramente surrealista, LA começou ainda criança e não gosta do caráter comercial que envolve as artes, no sentido publicitário e de vendas. Seus temas são confusos e envolventes. Típico trabalho surrealista. Procura abordar alimentos, como bolos, sorvetes, além de circos, palhaços e coisas do gênero. “Gosto de pintar coisas loucas, como encubações hidráulicas com bigode, chapéu.., coisas assim”. Com um trabalho bastante inusitado que mexe com o inconsciente, se autodenomina polêmico, e procura sempre dar uma mensagem para quem está olhando para tela. “Creio que Deus me deu uma alma de artista”. Sua técnica consiste em tinta acrílica, óleo e esmalte. Antonino tem certa preocupação com a finalidade do “Olinda Arte em Toda Parte”, por temer que se torne uma feira de artesanato. Em seu quadro, “Eu, Magritte e o Circo”, 78 x 49 cm, bem trabalha a perspectiva surrealista, respeitando temas e formas dessa escola européia. Seus trabalhos estão no ateliê de Sheila Rodrigues e Deyse.

Ainda nesse mesmo ateliê, encontra-se uma arte abstrata, com cores fortes e com certo cunho romancista. Esse é o trabalho de Sheila Rodrigues de Oliveira, 55 anos e trabalha com pintura desde a década de oitenta. Utiliza técnicas mista, acrílica e óleo sobre tela. Seus abstratos não tem títulos, deixando os leitores das imagens livres para viajar nas cores e formas nele presente. “O abstrato é algo mais contemporâneo, uma coisa mais solta, até porque não há uma regra na leitura”, disse a artísta. Já o seu figurativo é dotado de mais técnica, e se influencia, segundo a própria artista, nos trabalhos do italiano Monde Vilain. Moné também a influencia bastante.“Toda minha vida estou buscando. As pessoas falam que tenho que escolher um estilo, mas eu não tenho um só estilo. Dependendo do meu estado de espírito eu pinto o abstrato, ou o figurativo, pois adoro desenhar a forma feminina”. Na concepção de Sheila, o “Olinda Arte em Toda Parte” deveria acontecer mais vezes, pois isso é uma boa oportunidade tanto para discutir, como para fazer a interação artística na terra.
(a esqerda: Quadro de Bajado divide espaço com obras de Sheila Rodrigues)
Seu ateliê fica na rua do Amparo, n* 17, e há várias obras expostas de diversos artistas. Mais informações acesse: http://www.olindaarteemtodaparte.com.br/